quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Bancada governista endurece com Pezão na Alerj e se recusa pagar o ônus da crise
Depois de aprovar praticamente todas as matérias nos governos Sérgio Cabral (PMDB) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), por longos dez anos, a maioria governista na Assembléia Legislativa (Alerj) parece não estar mais disposta a assumir mais esse ônus num ano eleitoral.
Agora, Pezão terá sérias dificuldades em aprovar um pacote de medidas para salvar seu governo do estado de falência. Entre as propostas, a extinção de empresas, fundações e autarquias como a Fiperj, Funarj e a FIA, que implicaria em abolir literalmente suas estruturas e na demissão de servidores.
Deputados consideram que os servidores (até hoje sem salários e o 13º) ou mesmo a população não podem pagar a conta com demissões ou aumento de tarifas enquanto empresas como cervejarias, montadoras e concessionárias desfrutam de privilégios de dezenas de milhões em isenções tributárias. Pelo visto, crise mesmo só para a população.
“A crise não é dela, a população ou os servidores, que não podem aceitar ser bode expiatório dessa crise. O governador precisa explicar porque pagou R$ 39 milhões de dívidas da Supervia com a Light e dizia à época que não iria aumentar a tarifa, mas aumentou”, disse o deputado Wanderson Nogueira (PSB).
Dr. Sadinoel (PT) considerou o futuro do Estado como tristemente nebuloso. “Foi um desastre a fala do governador na abertura dos nossos trabalhos este ano. Não trouxe expectativa alguma quanto ao futuro tristemente nebuloso do Estado do Rio de Janeiro. A situação dos IML continua precária em todo Estado. As UPAs, funcionando de forma precária, pois as prefeituras em situação também difícil tem que bancar essas unidades porque o governo estadual não repassa as verbas para sua manutenção”.
Nem mesmo o presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani, (PMDB), já não agüenta mais o peso do ônus de ter que comandar a tropa de choque para aprovar as mensagens de Pezão. Ele quer mais diálogo e negociação diante dos pacotes que o governador quer enfiar goela adentro nos parlamentares.
“Tenho conversado com deputados de vários partidos. Tanto de oposição como do bloco governista. E não vejo nenhum deputado disposto a votar essas matérias como a extinção das fundações e mais aumento de tarifas”, disse o deputado Rogério Lisboa (PR).
Os deputados criticaram duramente as desonerações fiscais dos governos do PMDB. Somente no primeiro governo Cabral Filho (2007-2010), no qual Pezão foi vice, o volume de isenções fiscais alcançou a casa de R$ 50 bilhões.
Por sua vez, o vice-líder do governo, deputado Jânio Mendes (PDT), disse que acredita na responsabilidade da Alerj em colaborar com o governo. “Esta Casa jamais faltou com sua colaboração e espírito público. Desta vez não será diferente”, frisou.
Audiências e estudos – Luiz Marins (líder do PDT) também não aceita aprovar as medidas. “Também não vejo como aprovar essas medidas. Precisamos discutir com a sociedade, fazer audiências públicas, a não ser que o governo demonstre, através de estudos, de que não há mesmo outra alternativa”, afirmou.
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